quarta-feira, 29 de outubro de 2008

No sign of the winds of change.

O pior não é você estar descontente com as suas atividades no trabalho. O pior é que você vê que definitivamente não está sozinho. Você conversa com as pessoas, colegas, amigos e todos estão passando pelas mesmas dificuldades. Estranho isso...

Em 26 de setembro a lei para estagiários foi aprovada, dando uma série de direitos e deveres ao estagiário. Interessante é que, como eu entrei na empresa antes disso, não serei contemplado, ou seja, se eu antes ja fazia justiça com as próprias mãos, agora vai ser mais ainda.

Não há outra saída. Quando mais acho que as coisas vão mudar, não mudam. As atitudes deles não mudam. Vivem como se só existisse um dia, depois outro, depois outro. Será que eu sou doente por tentar pensar daqui há 2 anos? Ta parecendo que sim, afinal, pouca gente faz isso. Então somos doentes.

Acho que o maior defeito das pessoas é se fechar para as informações. Algumas pessoas, quando lhes é dada alguma tarefa que não consta na sua "carteira de trabalho", simplesmente se fecham e se negam a fazer. Ao invés de encarar como um desafio e aprender mais sobre outra coisa, se fecham e dizem "Isso não é trabalho meu! Não estou sendo pago pra isso!". Bom, se fosse para fazer inseminação artificial em elefantes tudo bem, mas não é.

A nova lei diz que as empresas terão que ter um outro funcionário para servir de guia para o estagiário, numa tentativa de não fazer com que o estagiário exerça papel de funcionário, quando é um "menor aprendiz". Interessante isso. Deve ser legal trabalhar assim, com alguém que entende. Ou ao menos com outra pessoa na sua área. Detesto trabalhar sozinho. Preciso dialogar com alguém. Acho que vou comprar uma bola Wilson. Náufrago, você já era.

Que setor de marketing que se mantêm em uma empresa que não se preocupa em investir em atividades voltadas para o mercado? Não tem comunicação, não tem estratégias de motivação, não tem pesquisa, não tem plano de vendas, não tem conversa que gere ações que realmente sejam significantes para o atual cenário. Nada. E se tem, é pouco em quantidade e eficiência. Poderia mudar isso? Não. É cultura. Maldita c-u-l-t-u-r-a- de m-e-r-d-a.

Metódico? Tecnicista? "teorico demais"? Estudante, novinho, ingênuo, pouca experiência, poucos meses de empresa e ainda não conhece o processo. Se esses são os processos normais no mercado, eu vou me ferrar. Não estou acostumado com essa desordem, essa falta de compromisso, falta de planejamento para as coisas, falta de preocupação com as prioridades. Prioridades? As prioridades são outras e, se é que você percebeu, não é com você. Ódio.

Rebelde? Talvez. O que está errado deve ser mudado e pronto. Estou fazendo isso pra colocar dinheiro num bolso que nem é meu. Estou começando a perceber que essa é uma atitude babaca. Como diria meu bom e velho Jigsaw: "O bem não leva ao bem. O mal não leva ao mal. A vida não é sequencial."

As vezes temos que fazer o mal para conquistar um bem maior. Eu sinto muito. É tarde demais. Faltam só duas respostas, ou quem sabe uma só. Vou me atrofiar em algum canto onde pelo menos eu terei cobrança, chefe chato, muito serviço e vou ficar estressado com o tanto de serviço. Meu sonho. Meu sonho é torrar metade do salário com remédios porque estou estressado com o trabalho, porque estou cheio de serviço, porque meu chefe me pela o saco e me cobra resultados impossíveis. Meu sonho.

E sabe porque isso nunca vai acontecer? Porque eu sou feliz. O tanto que eu sou bonzinho me irrita profundamente às vezes. Pra mim, não existe trabalho chato, existe tempo ocupado em prestar serviços de qualidade para as pessoas (e claro, dinheiro). Não existe chefe chato cobrando resultados impossíveis, existe uma pessoa pressionada diariamente que vê em mim uma solução para o problema que ele não pode resolver sozinho. Ou seja, eu sou um trouxa.

Eu levo a vida tão numa boa que, quando isso não acontece, eu surto. Como estou fazendo agora. Se alguém está lendo até aqui é porque pode estar balançando a cabeça ou lendo com a mão no queixo dizendo "velho, que porra é essa?". Bacana isso. Criei esse blog somente para expor minhas idéias sem se preocupar se o receptor das mensagens está 1) escutando 2) entendendo 3) concordando. Mas eu estou errado? O pior é que ninguém me prova que estou errado! Será que tenho que ter mais paciência? Mas as coisas por aqui não vao mudar. Infelizmente não. E não há nada que eu possa fazer.

Se as coisas não mudam, é preciso ser o agente de mudança. A ignorância (no melhor sentido da palavra) impossibilita essas pessoas de buscarem algo mais para se capacitarem, para poderem ter uma vida com menos angústia. Eu cansei de me importar com essa gente. Cansei, mas nao consigo parar. Me importo porque se importaram comigo um dia, e reconheço isso. Mas ajudo quem quer ser ajudado, seja uma formiga tentando sair da água, seja um chefe tentando coordenar uma empresa, o céu lutando contro o inferno. Eu faço. As coisas aqui não mudam! Eu tento fazê-las mudar, mas não consigo! Que se foda. Who cares....

Um comentário:

Kenji disse...

calma fi ;-) que as coisas melhoram

tem que ter fé

lembrei de um caso de um amigo meu, que sentia falta dessa coisa de "empresa grande", cheia de burocracia e processos, e foi trampar na borland, que é tipo uma gigante da área de TI

e não é que lá era a mesma zona que nas pequenas empresas sem processos e burocracia? ;-)

eu tenho uma teoria que as pessoas fantasiam um pouco sobre esse lance da "grande empresa".

mas eu acho que se vc já está inquieto, bom sinal